terça-feira, 18 de junho de 2013

Minha escola é polo de alunos com deficiência auditiva e achei interessante postar esse vídeo, pois esta é a maneira que eles fazem suas leituras. Espero que gostem.


          

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SEQUÊNCIA DIDÁTICA DE LEITURA

No encontro presencial, eu e meu grupo, fizemos a Sequência Didática do texto Meu Primeiro Beijo de Antonio Barreto, para alunos do 9° ano do Ensino Fundamental.- 5 aulas

TEXTO - MEU PRIMEIRO BEIJO
ESTRATEGIA DE LEITURA

I - Antecipação
1) Como foi o primeiro beijo?
2) Era o que você esperava?
II - Pedido para que os alunos relatem os fatos sobre o seu primeiro beijo.
III - Inicio da leitura do testo ate o oitavo parágrafo, interrompendo para realizar a seguinte pergunta:
Vocês sabem o que acontece com o nosso organismo no momento do beijo?
IV - Retomaria a leitura ate o décimo terceiro parágrafo, perguntando aos alunos:
Por que o narrador diz que passaram pelo abismo do primeiro beijo?
V - Terminaria a leitura do texto.
Finalizaria com as perguntas:
E depois do primeiro beijo como foi? Começaram a namorar? Como se comunicaram, através do quê? Celular? Cartas?
Quanto tempo durou o relacionamento?
VI - Pediria para que realizassem uma dramatização do texto, externando suas impressões sobre o enredo e sobre os personagens.
VII - Encerraria a sequência didática pedindo para que os alunos produzissem um texto escrito relatando a experiencia do primeiro beijo.


MEU PRIMEIRO BEIJO - ANTONIO BARRETO

É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem
com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos
exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e
morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos
seus milhares de bilhetinhos:
"Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou
com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de
mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber
que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus,
veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias
e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou
na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina;
0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo
menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os
meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem
os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso
aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz,
fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro
de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns
segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos,
o abismo do primeiro beijo.Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos
apaixonados por várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o
tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e
foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!
BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD,
1977. p. 134-6.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Avestruz



O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus dez anos, uma avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu as avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar a avestruz, deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros. 2,7 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que logo depois, Adão, dando os nomes a tudo que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que elas vivem até os setenta anos e se reproduzem plenamente até os quarenta, entrando depois na menopausa, não têm, portanto, TPM. Uma avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a trinta crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve uma avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que elas comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo, máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto num psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.

PRATA, Mário. Avestruz. - 5ª série/ 6º ano vol. 2 - Caderno aluno p. 9 - Caderno do Professor p. 18

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Sequência didática: Avestruz


Durante o curso Melhor Gestão, Melhor Ensino, houve encontros presenciais e, num deles, eu e minhas colegas de grupo lemos e analisamos o texto "Avestruz", de Mario Prata.

Essa atividade foi desenvolvida como parte de um treinamento que tem como principal objetivo ampliar a capacidade leitora e escritora das principais pessoas envolvidas: nossos alunos.

O tempo previsto para o trabalho em sala é de aproximadamente 4 aulas.

A sequência didática e/ou situação de aprendizagem será desenvolvida da seguinte maneira:
Antes da leitura:
  • Levantamento de conhecimentos prévios: o que sabem sobre avestruzes, onde são encontrados;
  • Análise do título e o que esperam encontrar no texto.
Durante a leitura:
  • Leitura compartilhada, fazendo inferências em relação ao vocabulário do texto;
  • Comentários sobre o uso de expressões populares como “estômago de avestruz” e “enfiar a cabeça num buraco como um avestruz”;
  • Constatar a presença das linguagens formal e informal no texto;
  • Verificar a presença do humor como recurso da linguagem.
Depois da leitura:
  • Características da tipologia e do gênero (crônica narrativa);
  • Questionar os alunos sobre que parte mais gostaram do texto e se o final foi o esperado;
  • Pesquisa interdisciplinar em conjunto com Ciências e Geografia (como vivem e se há algum lugar específico no Brasil - criadouros);
  • Reconto oral com registro dos fatos feito pelo professor na lousa;
  • Reescrita em duplas para avaliar a estrutura do texto e a gramática.
  • Digitar um dos textos, com todos os erros, e usar o data show para fazer a correção coletiva.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Minha primeira experiência com a leitura foi aos sete anos de idade e na escola. Naquela época entravamos na escola já na primeira série direto, não tínhamos pré-escola e éramos alfabetizados utilizando cartilhas.
    Mas o gosto pela leitura foi incentivado pelas histórias contadas todas as noites pelo meu pai, ficava encantada com os fatos, personagens, os conflitos e finais felizes. Lembro que algumas tinham cantos, ele fazia questão de expressá-las. Me sentia dentro da histórias correndo, brincando, fugindo, arquitetando planos para fugir de alguns personagens.
    Como nos depoimentos do Gabriel o Pensador e do Gilberto Gil que tinham em suas avós contadoras de história meu gosto pela leitura começou dentro de casa também. Isso me instigou a querer aprender a ler para conseguir viajar pelas histórias, com o passar do tempo fui conhecendo não só os contos de fadas como as narrativas, os relatos de experiências, as crônicas, as notícias e fui crescendo como leitora tanto que me tornei uma professora de Língua Portuguesa e Literatura.
    A leitura nos torna cidadãos conscientes e críticos, mais humanos, algumas até ajudam a resolver problemas psíquicos. Fico triste quando pergunto aos meus alunos quais são as primeiras histórias que seus pais ou avós contavam a eles e como resposta ouço que nunca ouviram nenhuma história em casa.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

DEPOIMENTO DE LEITURA E ESCRITA - VERENA VENANCIO

Escrever um depoimento às vezes é meio complicado... recordar momentos... nomes... mas... é valioso.
Meu primeiro contato com a leitura ocorreu por volta dos meus 5 – 6 anos de idade. Minha mãe, professora, já me iniciou nesse mundo maravilhoso das letras. Ela conta que, quando eu ainda não estava alfabetizada, levantava cedo e pegava as Enciclopédias que tínhamos em casa e as folheava sentada no sofá. Isso antes do café. (rsrs)
Quando ingressei na 1ª série, já estava bem familiarizada com as letras. No segundo semestre, quando todos já estávamos alfabetizados tínhamos concluído a Cartilha, a professora, Naciba, nos presenteou com um livro, eu ganhei Os Dálmatas, de Walt Disney.
Minha casa sempre foi repleta de livros. Aos 10 anos, lembro que minha irmã e eu ganhamos a coleção completa do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato, eu não lia os livros, eu os devorava.  Por vezes, acordei às 5h30 da manhã, hora que minha mãe saía pra trabalhar, e, no sofá lia os livros dessa tão deliciosa coleção. Lia até as 7h, que era a hora de me aprontar para ir à escola. Daí por diante não abandonei mais os livros, lia todos que tinha oportunidade (Coleção Vaga-Lume, Sidney Sheldon, Clássicos da nossa literatura e muitos outros.)
 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Experiências de Leitura por Sônia Regina



O professor e crítico literário Antônio Cândido afirma que a leitura/literatura torna o homem mais rico: ela exercita-lhe a reflexão, dá-lhe saber, boa disposição para o próximo. Desenvolve no ser humano “a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor”. Será que alguém já pensou em uma habilidade mais rica que essa?

Desde criança (faz tanto tempo...rsrs), sempre tive contato com os livros por incentivo de minha mãe que dizia sonhar em ser professora quando pequena. Lia tudo o que chegasse às minhas mãos.

Cresci e escolhi a profissão pensando em provocar a reflexão em meus alunos de forma a vê-los em ação questionando, inquirindo, tendo sua curiosidade despertada; desenvolver seu senso, para que possam ser cidadãos completos de forma a fazer bom uso das palavras bem como de seu entendimento. Faço o possível para que isso aconteça e fico feliz ao reencontrá-los, geralmente já crescidos e formados, comentando quanto foi importante meu incentivo para lerem e que isso serviu para que o mundo lhes abrisse as portas...

Minha casa sempre teve livros. Lia muitas histórias para meus filhos e acredito que isso colaborou para que eles tivessem facilidade também para ler e escrever. Entretanto, uma experiência não tão agradável com a leitura na escola e que serviu de alerta para que não fosse repetida aconteceu quando eu estava na 6ª série (com + ou - 12 anos), e o professor de Português exigiu que lêssemos Dom Casmurro. Lembro que eu não entendia nada, lia, lia e nada. O vocabulário era difícil, os fatos não eram interessantes e a tarefa, para mim e todos os meus colegas, era chatíssima. Enfim, o problema maior é que o professor não ajudava; ele não comentava nada sobre o livro e, quando perguntávamos ou reclamávamos, ele nem ligava e somente dizia: leiam, pois vocês vão fazer uma prova sobre o livro (hoje imagino esse professor como o próprio Dom Casmurro).

Não me lembro da nota, só sei que não fui bem e, o pior, até hoje não gosto -como deveria- dos livros de Machado de Assis (é claro que sei de todas as suas qualidades, porém acho que a culpa é do professor Bartolomeu).  Por isso, antes de sugerir um título, leio a obra, faço comentários sobre ela, conto alguns detalhes a fim de incentivá-los. Acho que é uma das maneiras de despertar cada um para a "magia da leitura".